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18/05/2011

Brinquedos de Deus

Uma estrela cadente se apagando
no frio escuro do esquecimento.
Já não há mistério debaixo do sol,
já não há segredo no firmamento.

A lua se esconde na nuvem escura
e cessa o tempo clandestino,
pára o relógio, corta a angúsitia,
nasce o velho, morre o menino.

Não há cantos e orações nas esquinas
na tarde onde o dobre do sino ecoa,
há um céu inteiro preso na alma
onde o peito nu ressequido se esbroa.

Somos brinquedos de Deus recitando
para um mundo de famintos desolados,
caminhamos com o velho adiante
na paisagem de sonhos descampados.

Se brilhar nova estrela no céu
cairá novamente por terra
mergulhando no escuro infinito
onde sonhos e amores se encerram.

São Gonçalo, 18 de maio de 2011.

3 comentários:

Larissa Mitrof disse...

"caminhamos com o velho adiante
na paisagem de sonhos descampados"

Sim, caminhamos...

lia disse...

"Somos brinquedos de Deus recitando
para um mundo de famintos desolados"

seria a poesia o ópio de um mundo mediocre? O rum do pirata, a metadona do desabor?
bom, concordo com todas as possibilidades.

abçs,
lia

Henrique disse...

Genial! Sublime!