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22/03/2010

Mergulho Íntimo


Sabe, as vezes não dá para respirar.
O ar carregado, pesado, denso,
invade os pulmões abrindo caminho
à força e se instala incômodo
como grãos de areia numa ampulheta.
Sabe, o mundo já foi mais sutil.
Não há trilhas dentro do próprio caminho
e o sol se pôs, e escurecendo mais cedo
do que se esperava...
Não há lua ou estrelas que iluminem a noite.
Ah, já me atirei de sete abismos,
mergulhei em sete garrafs de run,
rezei sete vezes para os anjos me levarem
e sete corvos prometeram devorar os meus olhos.
Sete vezes tentei enxergar e não vi
um palmo além de minhas promessas.
Sabe, às vezes não dá para existir,
é melhor calar do que gritar derrotas.
Mergulhar dentro de si mesmo e
tentar buscar a saída, vendo com
o tempo, que o corpo não é um templo
e sim, uma prisão de sonhos engavetados.

São Gonçalo, 22 de março de 2009.

5 comentários:

viin disse...

muito bom, romulo... gostei mesmo...

Luiz Alberto Machado disse...

qui também tudo pra lá de ótimo. Indicarei nas minhas páginas, aguarde.
Abração
www.luizalbertomachado.com.br

Desengavetados disse...

Faz tempo que não venho aqui...mas nunca me arrependo quando apareço pra ler.

Bem intimista dessa vez! rs

Bjos!

Andréa.

Apareça lá no Desengavetados.

Henrique disse...

Todos já estavam escondidos
Quando meu Jarro de Prometeu
Minha gaveta de sonhos aprisionados
Parecia guardar em si raivosas quimeras

Procurei o abismo pois não encontrava amigos
E quando o até o abismo parecia fugir de mim
Desisti de fugir de mim mesmo
Dormi só numa noite sem sonhos

Fátima Gonet disse...

Muito profundo
Até me indentifikei com alguns trechos!
Ameii !