08/10/09

Febre

Tenho febre
febre de sentir o mundo ao meu redor
de buscar a cura para minha insanidade
tenho febre
do medo de amar
da paixão que me consome
da desilusão da vida
do anseio de morte
tenho febre
febre de sentir a solidão que procurei
de buscar o preenchimento do nada
que vazio arde nessa febre insensata
tenho febre
não há dipirona e nem chá que cure
pois a febre que arde meu corpo
vem da alma.
São Gonçalo, 08 de outubro de 2009.

Arrebatamento de um Erotofóbico

Amanhece o dia, mais uma vez
meu corpo insano e minha mente
insana entregues à boemia.

Érato bate à porta do peito
e me tranco como um fauno
curvado numa sala escura
imerso em meus satíricos defeitos.

Ouço chegar a tarde, sem saber
que sou um fraco, um perdedor
que não sabe se fica ou se parte.

Vejo a escuridão da noite
envolver o antro que me refugio
saio de inopino de meu refúgio
e sou supreendido por um açoite.

Era Érato, sorridente com um ar
confiante de que o poeta estaria
aos seus pés impávidos e indolentes.

Caio e ouço o choro da ninfas
que já conclamavam o luto por
minha derradeira e fatídica queda
por uma sinuosa musa linda.

Mas eu me debato, no solo me ralo,
luto quase sem vontade, esbravejo,
mas com a chegada da musa,
basta ela me olhar... e eu me calo.

São Gonçalo, 06 de outubro de 2009.

04/10/09

E...

E eu mergulhei naqueles olhos negros
e senti o lírico perfume
e beijei os lábios doces como mel
e entumescidos de desejos como os meus
desvairados e desvirtuosos pensamentos
e o mundo deu voltas ao som do Rock
e a noite se despediu com o último gole
de cerveja na esquina e quando percebi
estava eu sozinho de manhã
olhando do meu terraço
para as nuvens e me perguntando:
E porque não?

(Poema inédito) São Gonçalo, 04 de outubro de 2009.

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