Corpos nefastos dançam sob a luz pálida.
Já não sentem o sabor do vinho
tomados pela embriaguez entorpecente
de suas almas tristes e indigentes. Vão de encontro, uns aos outros
e celebram a morte, diva do amanhã.
Calefação do tabaco, hálito de insensatez.
Vulgaridade estremecente da vulgaridade
dos desejos e angústias estampados na eternidade. Vomitam música num frenesi azul
sob suas peles distas de sol.
A dança se estende como num ritual
há muito tempo não celebrado.
Dançam dois mortos-vivos enamorados.
São Gonçalo, 02 de fevereiro de 2009.

