22/09/09

Isabela

Não fique triste, amiga.
O tempo passa e o que são
6 meses de esperança?

A angústia bate forte, eu sei.
E nós dois somos de um jeito
ou de outro destinados à solidão.

Mas você tem o pequeno Arthur
que veio ao mundo trazer luz
e alimentar-se dos seus seios de vida.

Os caminhos aqui fora, amiga,
são frios e escuros e não sabemos
quem nos espera nas esquinas.

E é por essas esquinas que eu caminho
com meus sapatos gastos e empoeirados
e trago o peso da idade que vem açoitando
nas costas e na face que se transmuta com
o mesmo tempo que te traz esperança.

Desgastada a alma deste poeta pálido esguio.
Uma vez eu disse que a vida doía,
mas o que dói não é a vida e sim palavras ditas,
pessoas que fazem o mundo rugir a nossa volta
e a ausência... a ausência dói no vazio da alma.

[Mas o quanto doa essa ausência, às vezes não cai bem a solidão?]
Mas não fique triste, amiga.
O tempo passa e você tem o pequeno Arthur.
E eu, tenho o amor e a amizade de vocês.

São Gonçalo, 16/09/09.

1 comentários:

Anna disse...

É... conheço bem esses caminhos da solidão. Isso deve ser algum defeitinho na alma que faz de nos seres abandonados a própria sorte, talvez nossa ilusão de completude convide as outras pessoas a serem enganadas... Belo poema, belo abrigo a quem conhece esses sentimentos.