
Quando começamos, em janeiro de 2004, fomos tão desacreditados que nós mesmos desconfiávamos de tamanha ousadia: um evento de artes em São Gonçalo, onde o carro-chefe seria principalmente a poesia. Mas, acima de quaisquer comentários maldosos ou pessimistas, tínhamos fome! Fome pela arte! Fome por sair do ostracismo! E com isso, a casa já estava de portas abertas: o SESC São Gonçalo.
Voltando um pouco na cronologia dos fatos, há de se dizer que aconteceu tudo muito rápido, pode-se até desconfiar de uma pré-destinação.
Conhecemos-nos na boemia, no Bar do Blues, em São Gonçalo, num ótimo e torpe tributo à banda The Doors. Eu distribuía bêbado um zine de poesia, de nome Espinhos, até ser abordado por outro bêbado que se dizia poeta, o bardo Rodrigo Santos (e que poeta; belos versos que passei a muito admirar e respeitar). O destino não parou por aí, apesar desse encontro não passar de um "Você que escreveu isso? Muito bom! Cara, eu estou para lançar o meu livro" e nos perdermos de vista dentre as cantorias e a bebedeira.
Um mês depois eu estava subindo ao palco do SESC São Gonçalo na minha primeira ousadia: apresentar o meu recital Dissolvendo Sombras, acompanhado apenas por um violinista que eu havia conhecido tocando nas ruas do Centro do Rio de Janeiro, André Cipola, e com a performance de três belas e queridas amigas, Carol Alfradique, Natália Alfradique e Vanessa de Oliveira, e com a apresentação do também amigo, o artista plástico Moisés de Oliveira. O SESC gostou do que viu, elogiou, porém esta foi a única e última apresentação.
O interessante, é que o Rodrigo e eu tínhamos amigos em comum, o que por essa bela conscidência me levou há alguns meses depois, à noite de autógrafos do seu livro Máscaras Sobre Rostos Descarnados, na faculdade Universo, em São Gonçalo. A partir daí, nos tornamos grandes amigos. A poesia, assim, uniu dois homens, experimentadores da vida e amantes da arte a confabularem sobre eventos e possibilidades de mostrar os trabalhos ao público. O sonho tornou-se realidade com um telefonema do SESC para o escritório onde eu trabalhava oferecendo um espaço para organizar algum evento de poesia. Não pensei duas vezes, liguei para o bardo e disse que o espaço que queríamos para realizar o tão sonhado evento já existia: o SESC São Gonçalo! Assim surgia em janeiro de 2004 o Uma Noite na Taverna!
Fomos ainda mais longe com nossos propósitos. Já que tínhamos o local e o nome do evento - em homenagem ao poeta Álvares de Azevedo -, porque não abrirmos o evento para outros artistas como nós, que sem espaço na mídia não haviam onde se apresentarem?
Assim, o evento passou a ser não só um evento de poesia e sim um evento multicultural, estendendo os braços às diversas vertentes da arte e a homenagear mensalmente um poeta consagrado ou um movimento literário, no intuito de unir o novo, dos novos artistas que se apresentaram, à arte que, já consagrada, influencia até hoje as novas gerações.
Com isso, o evento do dia 10/01, a ser realizado extraordinariamente num sábado (já que todos aconteceram às sextas-feiras), às 17 horas, será uma grande celebração à luta pela arte em nosso município carente, de não apenas dois poetas que, apesar de muito criticados e discriminados ou elogiados e premiados, determinados outrora desanimados, seguiram em frente; e sim de todos os artistas que por esse evento passaram e que marcaram a geração que fora nomeada pela própria imprensa local de Tavernista. E claro, não poderia deixar de ser a celebração do público sempre presente, que não deixa a luz da arte se apagar.
Tragam os amigos, divulguem a arte, pois a arte é a maior redenção do mesquinho ser humano.
Evoé!

2 comentários:
O evento foi maravilhoso! Parabéns!
que legal! parabéns!
a vontade de sair do ostracismo tem que ser o motor do artista mesmo...senão..fudeu
valeu por ter comentado no meu blog!
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