Noite, miserável, solitária, noite!
Da lágrima ardida sorvida pelo orgulho,
na crepitude de um viver lastimável
onde nas trevas de meus passos eu mergulho.
Ser o cão vadio das esquinas imundas,
vagar a sós e transmutar-me em sombra morta,
perder-me em ilusões em que a mente mergulha,
errar de casa, bater de porta em porta.
Pela noite eu ei de perder-me mortificado
com o ressecado destilado na garganta.
A escuridão recebe os meus pés calejados
na trilha em que minha vil vida desencanta.
Niterói, 17 de agosto de 2003.

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