Estou preso nessa caixa,
privado da imensidão do céu azul
privado da imensidão do céu azul
a ver as paredes suficando e viciando
o ar que me esmaga.
Estou preso nessa caixa,
sem espaço para amar e odiar,
a sentir que estou apodrecendo
na medida em que as horas passam.
Aqui é escuro & frio, mergulhado num áspero vazio
estou preso nessa caixa.
O dia parece não ter fim, a noite me devora sem pedir,
pois estou preso nessa caixa.
Estou preso nessa caixa,
a contemplar o meu "eu" interior,
o meu eterno e cativo sofrer,
a minha índole sem graça.
Estou preso nessa caixa,
a lamentar o meu asco infortúnio,
os meus desígnios pobres e vadios,
a minha história insensata.
Alguém, por favor,
me tire dessa caixa!
São Gonçalo, 28 de junho de 2003.

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