31/12/08

Poema de Ano Novo

Por tanta saudade que ficou para trás,
por tantas coisas não construídas,
pelas tímidas construções
mas tão bem embasadas.
Pelo filho que ainda não veio,
pelas derrotas que me ensinaram
que não se aprende com os acertos da vitória.
Pela mãe que partiu,
pela tia que partiu,
pelos que nasceram e renovam,
pelo sonho que acabou e pelos
novos sonhos que brotam vívidos
do peito rachado que não cansa de insistir.
Pelo casamento.
Pela paixão.
Pelo amor.
Pelo sofrimento contido,
pelos gritos de dor; quantos gritos...
Pelo suspiro de alívio e
pelo bálsamo amigo que sempre surge
no fim de um túnel inacabado.
Tudo há de se repetir e ser renovado.
Uma vida que nasce, outra que perece,
uma outra que se vai.
Um beijo de partida, uma lágrima,
um beijo de chegada, um sorriso,
uma esplêndida gargalhada.
Nada é o fim.
Por que para nós, o fim
são reticências de dúvidas,
são pontes para a estrada
da renovação.
De uma forma ou outra,
o ciclo sempre se renova.
A esperança nasce
e o mundo respira novamente.

São Gonçalo, 31 de dezembro de 2008 (21:02h).

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