25/12/08

Angustiolândia

Ah, como as vísceras que por ti
são dilatadas com grotesca harmonia.
Não cavaleiro!
Não sou tão louco e pernóstico o quanto pareço.

Sou alguém, sou ninguém,
sou apenas eu.
Quem sabe eu não seria o vento
que requebra na donzela
suas negras madeixas entrelaçadas?

Bem, cavaleiro,
podes até não compreender,
que talvez por mágoa ou revolta
minha insignificante pessoa adorna.

Nos dilúvios de fogo,
corpos que antes mergulhados na paixão
dilaceram a alma alheia
sem dádivas nem compreensão,
com dúvidas do que sente o coração.

Pois é, caveleiro.
Incinere esta ruga em tua testa.
Difícil compreender, não é?
Então galgue tua montaria
e marche para Angustiolândia!

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